Copa: leis em jogo na Vila Madalena

Autora Deise Marques,

Editora dO Jornal Vila Madalena SP

Coluna Estamos de Olho

 Bêbado invade casa de morador na Vila Madalena

Terça-feira, 17 de junho de 2014, durante o segundo jogo da copa de futebol no Brasil, os moradores da Vila Madalena (aqueles que não têm como – ou não querem por dignidade – fugir de suas próprias casas durante as  festas públicas desorganizadas nas ruas do pequeno bairro, permitidas pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) e regada pelo setor que mais remete lucros ao exterior: bebidas) tiveram mais problemas em suas próprias residências. Um dos diretores do Conseg –Pinheiros (Conselho de Segurança), vejam só a ironia, foi quem relatou a invasão de seu lar. Pior: foi agredido verbalmente pelo “cidadão brasileiro”, mas contou o fato em tom de humor, ilustrando-o com uma foto do rapaz visivelmente bêbado fazendo sinal de ok. “O rapaz entrou e subiu no segundo andar da minha casa procurando um banheiro; depois do serviço feito, não quis ir embora e quando ficou sabendo de minha origem estrangeira, começou a ofender nossa família que, segundo o invasor, eu estaria vivendo dos impostos que ele paga ao governo. Acho que ele não sabe que 50% do preço da cerveja é de imposto. Além disso, dois guardas civis que passavam em frente à minha casa não quiseram nem saber, tivemos que fechar nosso comércio (loja de luminárias) para nos livrar desses incômodos”, em pleno horário comercial! Segundo o morador, no carnaval 2014 aconteceu a mesma coisa. (Thomas Green* é britânico e sua esposa descende de japoneses). *Ver entrevista exclusiva com o morador no site http://www.omadalenasp.br, edições impressas, ano 1, ed.out., n10, pág.3.

Emigração forçada em São Paulo

O humor é um artifício necessário, como nos ensinou o doutor Freud, para a sociedade contornar o sofrimento da resistência e obter um ganho de prazer para, enfim, depois, continuar a viver, ou a sobreviver, ou mesmo morrer, no mundo injusto. O fato da invasão relatada pelo diretor do Conseg-Pinheiros (acima) seria cômico, se não fosse, no fundo, muito triste. Em sua desesperada narrativa ele revela que colocou sua casa à venda, pois, assim como muitos outros moradores da  ex-Vila cultural que ajudaram a construir (e esta sim, preservada, seria um belo e atraente cartão postal da cidade de São Paulo no século 21, mas que se perde agora nas mãos de gananciosos empresários-políticos de diversos segmentos e partidos), ele está sendo pressionado pelas circunstâncias a sair de sua residência (numa ‘emigração forçada’, como muitos outros já sofreram devido a voraz verticalização do bairro, ao aumento do custo de vida e, claro, ao de barulho e insegurança). Frente a personalidade prepotente do Poder Público – e Privado – muitos adotam a postura passivo-masoquista e perdem a vontade própria. Mas nem todos são assim. Durante o nazismo, hoje sabemos, alguns pouquíssimos homens mantiveram seu nobre caráter – e morreram sem compactuar e aderir às imposições de governantes equivocados. São exemplos de altruísmo que até hoje estimulam pessoas a lutar por relações sociais menos preconceituosas (inclusive de ‘classes’ como está na moda de novo por aqui), egoístas e burras.

Impulsos hostis e brutais

Enquanto a bola corria nos campos (não de concentração, mas de futebol padrão Fifa, claro), o ódio corre pelas páginas de jornais brasileiros. A “tirania da sugestão” dessa grande mídia poderosa, cujas regras do jogo já foram expostas pelo saudoso jornalista Cláudio Abramo, repete slogans publicitários de campanhas eleitorais como marionetes nas mãos de hábeis líderes da retórica e da palavra que sugestiona e hipnotisa a massa, inclusive de (pseudo)intelectuais que constroem suas narrativas com base nisso, agora em todas as redes sociais, aumentando ainda mais a desinformação. O caráter sinistro da grande mídia é o mesmo dos governantes e é terrível porque mina o sujeito de suas vontades e os induz, em geral, à apatia, à verborragia estúpida ou ao vício. Ódio e farra é que o assistimos “na nervura desse real Brasil”, mas que quase nunca se vê na televisão. Freud já explicava que as grandes festas são excessos ordenados pela lei e que devem seu caráter alegre à libertação do ‘eu’ reprimido. “(…)costumam terminar em excessos de todo tipo. A suspensão do ‘eu ideal’ teria de ser uma imensa festa para o ‘eu’, que não poderia outra vez estar contente consigo mesmo”. Pobre dos jovens que estão tendo suas vidas destruídas física e psiquicamente em pleno século 21! Os (pseudo) e intelectuais no poder (politico e grande mídia) fariam melhor à nação – e aos cidadãos eleitores – se organizassem coerentemente as ‘necessárias festas’ ou, ao menos, se simplesmente respeitassem as leis e a constituição do país (para todos os que vivem no Brasil).

Leis em jogo

O movimento SOSsego da Vila Madalena (presidido pelo diretor do Conseg que teve sua casa invadida, como relatado acima) divulga fotos e fatos em seu blog http://www.sossegovilamadalena@blogspot.com.br) denunciando o desrespeito do setor público em relação às próprias leis que criadas por eles. A do “psiu’ é uma delas, mas moradores também reclamam da “mobilidade”: durante essas festas eles não conseguem sair ou entrar em suas próprias casas. (Deise Marques, editora dO Jornal Madalena SP).

 

Publicado en la pagina web del Diario Vila Madalena con la amable autorización de reproducción de la autora Deise Marques.

http://www.omadalenasp.com.br/site/index.php/pt/Copa:%20leis%20em%20jogo%20na%20Vila%20Madalena



Categorías:FIFA, Latin America, Uncategorized

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